Quando tentas o teu melhor Mas não és bem sucedido… Sabes o que é estar tão perto Que sentes cruelmente o quanto te estás a afastar. Sobes uma escada e atinges o patamar Cais pela rampa sem ter nada para te agarrar Não podes parar nem decidir recomeçar Sofres por ti e pelos outros Por aquilo que já é tarde para tentar E continuas… Porque não há nada que te prenda àquele instante Nada que queiras recordar como brilhante E olhas para os que te rodeiam buscando algo Talvez força que, itinerante, Te deixa chegar ao primeiro andar. Tens a ilusão de que já triunfaste Mas o sonho está a te enganar O prédio tem mil andares E muitos ainda serão os olhares De dor, tristeza e solidão Angústia num tão pequeno lugar Aquele onde guardamos o coração.
Se o mundo existe E eu quero existir Porquê levantar E voltar a cair? O mar revoltoso Deixou de ser queixoso E volto a navegar Para nada encontrar O céu desce ao meu encontro Voo nos braços de um outro Não sinto a consciência diletante Esqueço o cavaleiro andante Se o sonho me invade Choro a saudade Daquilo que ainda não serei Do que vou ser e temerei. Chuva cai incessante E eu continuo errante E abro o guarda-chuva mais uma vez Para que as varetas se partam de chinês. A terra escura Nada engana e tudo assegura Caminho pela mão morena Não ouço a razão sarracena Lembro a donzela serena. Se o futuro entra Por aquela porta aberta Posso não ter coragem De a fechar numa aragem. Sol que queimas o olhar Não tão confundes como o amar Desta vez não me vou proteger Só para te poder ter.
Tão jovem e inocente E calma de diabrura Teu espírito encanta Todo o teu ser é único Tens talento em cada vértebra que te compõe E cativas até os mais esquisitos Com o teu sorriso tentador
Pelo teu próprio corpo esguio Subiste lá alto Ninguém ficou indiferente
O tempo passou O sucesso aumentou Já não és larva
De um casulo saíste Toda vaporosa Agora, tinhas estado com as estrelas E ganhaste um par de asas lustrosas Pintadas de todas as cores
Sentes-te especial Mais bonita, graciosa És uma borboleta És a rainha do Mundo
O teu corpo minúsculo Ostenta o peso da fama São quilos que te puxam de encontro ao chão
Lembro o passado distante E peço ao futuro que virá. Amo com amizade O amigo, que amor me dá. Olho o horizonte E perco o infinito Deixo meu cabelo esvoaçar Ao vento da sorte e do azar. Ouço ao longe Explosões de cores. Sinto bem perto Um punhado de odores. Caminho por entre as estrelas, Corro e salto sobre os cometas, Frios e com sombras amarelas. E eu viva ou morta de tantas facetas.