domingo, 7 de abril de 2013

Eterno Vazio





Nunca pensei poder sentir-me assim
És agora um grande vazio em mim
Pensar como importou e nada mais
Como tudo acaba por ter tais finais
Não quero mais
Se agir mal foi o que me fizeste fazer
Então agia mal toda uma e outra vez
Com a certeza de que não te deixava escapar
Toda eu era um constante só te querer
Sempre eu sonhava com um “era uma vez”
Tanta força para forçosamente ter de te deixar
Porque tu é que escolheste
Nada de possível havia a dizer ou a fazer
Num eterno segundo morreste
E agora és um vazio que tenho de preencher

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Se as saudades matassem




Para quê deitar-me, se é para chorar?
Se é para me lembrar?
Porquê recordar, se é para sofrer?
Se é para não entender?
Para nunca mais o teu olhar encontrar?
Ou o teu abraço me embalar?
Para quê o porquê de tudo o que é bom ter de acabar?
Porque é que nunca se fica com o que se quer ficar?

A saudade veio para matar…

sábado, 18 de agosto de 2012

Uma simples porta


Aquela porta existe.
Está lá. 
Descomprometida.

Não me perguntem se de madeira ou ferro,
Se verde ou azul,
Mas lembro-me de como era velha, estreita, ruidosa,
Pouco interessante e pouco tentadora
Porém, era o que estava para além dela que interessava
Um mundo de alegria, risos, olhares, gargalhadas,
Confidências, carinho, partilha
E tanto mais por que valia a pena viver…

Momentos
Lembrados apenas
Por quem teve a coragem de atravessar algo tão frágil e sensível
E ainda tinha ousadia para tanto mais.

Acontece que a porta não mais se abriu…

O mundo está lá
Com mais vida que nunca
Só não é para mim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Do outro lado

















É verdade que estou aqui
Do outro lado desta grande porta
E está a chover…
Cai e sinto-a na pele
Tu não vês?
Será que a sentes?

Parece complicado ver,
Ou sentir até…
Uma história contada de forma diferente não é verídica
Nem em quem a conta se pode acreditar!

Mas, com guarda-chuva ou não,
É impossível não sentir…
Mais ainda: não ver que esta porta é de vidro.

terça-feira, 15 de março de 2011

Há coisas que nem sempre dizemos

















Há coisas que nem sempre dizemos,
Não porque custa,
Mas porque temos medo que elas voem.

E depois?
Depois guardamos o que íamos dizer só para nós.
Ninguém fica a saber o quanto estamos a sofrer.

Não vale a pena afogar o que nos rodeia, só porque a água está demasiado fria para nós.

Há sempre coisas que ficam por dizer…
E isso custa,
Porque não fomos audazes o suficiente para congelar o momento.

E depois?
Depois é mais difícil falar, avançar, dar…
E ninguém fica a saber o que estamos a sentir…

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A espera

















Ela está ali à espera
Sentada não quer, apesar da longa demora

Vale-lhe a calmaria que o ar lhe dá
E a luz cinzenta do envergonhado sol de inverno
Que ameaça um desfecho menos risonho.

Deixa de estar de pé
Uma simples borda do passeio é perfeita
Acreditando lá não ter de ficar por muito tempo

Daqui a um quarto do relógio tudo se resolverá

Um dia passa

E ela espera

E continua a acreditar

Mas as pedras da calçada são duras
A chuva ameaça por entre as nuvens

Não há nada a fazer

O rapaz levanta-se e vai embora.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A preto e branco


















Ontem fui ao mar
Fui amar
Mas o mar não me queria lá
Queria o sol
Que nele estava a pousar
Insisti
E fui caminhar
Para o amor encontrar
Num ramo de rosas brancas perdido
Destruído
Era aquele o lugar para me sentar
E esperar pela onda do mar
Que me fosse abraçar

sábado, 23 de outubro de 2010

Carta


















Gaivotas passam num voo rastejante
Que nem víbora que esconde a sua presa
Como o sol que sucumbe ao horizonte
E o laranja que vagueia pelo céu de verão
Bate…ondeia…frio…bate…
Enrola…quente…toca…enrola…
Passeia num caminho de noite molhado
Tal como seixos num trilho à sorte
Vermelho de paixão no negro azul
Este é o som do silêncio do depois
Não chegues…fica…vai, mas volta…