quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A espera

















Ela está ali à espera
Sentada não quer, apesar da longa demora

Vale-lhe a calmaria que o ar lhe dá
E a luz cinzenta do envergonhado sol de inverno
Que ameaça um desfecho menos risonho.

Deixa de estar de pé
Uma simples borda do passeio é perfeita
Acreditando lá não ter de ficar por muito tempo

Daqui a um quarto do relógio tudo se resolverá

Um dia passa

E ela espera

E continua a acreditar

Mas as pedras da calçada são duras
A chuva ameaça por entre as nuvens

Não há nada a fazer

O rapaz levanta-se e vai embora.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A preto e branco


















Ontem fui ao mar
Fui amar
Mas o mar não me queria lá
Queria o sol
Que nele estava a pousar
Insisti
E fui caminhar
Para o amor encontrar
Num ramo de rosas brancas perdido
Destruído
Era aquele o lugar para me sentar
E esperar pela onda do mar
Que me fosse abraçar

sábado, 23 de outubro de 2010

Carta


















Gaivotas passam num voo rastejante
Que nem víbora que esconde a sua presa
Como o sol que sucumbe ao horizonte
E o laranja que vagueia pelo céu de verão
Bate…ondeia…frio…bate…
Enrola…quente…toca…enrola…
Passeia num caminho de noite molhado
Tal como seixos num trilho à sorte
Vermelho de paixão no negro azul
Este é o som do silêncio do depois
Não chegues…fica…vai, mas volta…

quinta-feira, 25 de março de 2010

Fado

Estou desejosa pela rajada de vento que me vai afastar os cabelos da face, do orvalho quase a gotejar pelos candeeiros cinzentos de metal, frios mas tão quentes de luz.
Andar pela pedra da calçada que não escorrega e não deixa enganar no caminho; aconchegar o casaco, buscando inconscientemente um abrigo seguro.
Abrir aquela porta de ouro e sentir o conforto da madeira, nem muito escura, nem muito clara, e a suavidade dos veludos que a cobrem.
Mas não pensem que o que me faz voltar é apenas isto… é o relembrar da minha vida e de tudo o que dela parte fazia.
Acordar gelado e preguiçoso, consumido pela vontade de querer mais e mais…sem nunca parar e até sem nunca errar. Sacrifício não era, desconhecidamente, conhecido.
O chegar a casa e ter mais do que fazer, alguém para além de mim que compreender e até aqueles a quem me dava a entender.
Agora mudam as horas, os tempos, os locais, as pessoas, os momentos, a casa e eu.
Tudo isto é triste…tudo isto é Fado…

sábado, 20 de março de 2010

Melancholic Ballad






Hoje escrevo...
...não porque tenha alguma coisa para escrever, para dizer, para partilhar
Porque sinto que o devo fazer
Simplesmente é o que quero
Sei que há alguém que precisa de um conforto e eu assim o espero confortar
Ou talvez de uma mão que, dada, ajude a caminhar
Uma música que o vá alegrar.

Um simples desabafo não é fácil esconder
Talvez tu um dia o vás saber
Agora não
É muito cedo...ou muito tarde...depende...

Às vezes tento acreditar que também não o sei
Em vão
Porque será que escrevo?
Não sei
E é isso
E já é demais para saber

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Palavras correm


















Palavras doces
Escorregam pelos teus lábios
Promessas eternas e duradouras
Palavras bonitas, gestos vários…

Mas expressões do coração
Que amaciam o veludo carmim
Nunca devem ser ditas em vão
Valem muito mais assim:
Quando há razão.

domingo, 11 de outubro de 2009

Compreendo-te



Quando tentas o teu melhor
Mas não és bem sucedido…
Sabes o que é estar tão perto
Que sentes cruelmente o quanto te estás a afastar.
Sobes uma escada e atinges o patamar
Cais pela rampa sem ter nada para te agarrar
Não podes parar nem decidir recomeçar
Sofres por ti e pelos outros
Por aquilo que já é tarde para tentar
E continuas…
Porque não há nada que te prenda àquele instante
Nada que queiras recordar como brilhante
E olhas para os que te rodeiam buscando algo
Talvez força que, itinerante,
Te deixa chegar ao primeiro andar.
Tens a ilusão de que já triunfaste
Mas o sonho está a te enganar
O prédio tem mil andares
E muitos ainda serão os olhares
De dor, tristeza e solidão
Angústia num tão pequeno lugar
Aquele onde guardamos o coração.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O sexto sentido

















Se o mundo existe
E eu quero existir
Porquê levantar
E voltar a cair?
O mar revoltoso
Deixou de ser queixoso
E volto a navegar
Para nada encontrar
O céu desce ao meu encontro
Voo nos braços de um outro
Não sinto a consciência diletante
Esqueço o cavaleiro andante
Se o sonho me invade
Choro a saudade
Daquilo que ainda não serei
Do que vou ser e temerei.
Chuva cai incessante
E eu continuo errante
E abro o guarda-chuva mais uma vez
Para que as varetas se partam de chinês.
A terra escura
Nada engana e tudo assegura
Caminho pela mão morena
Não ouço a razão sarracena
Lembro a donzela serena.
Se o futuro entra
Por aquela porta aberta
Posso não ter coragem
De a fechar numa aragem.
Sol que queimas o olhar
Não tão confundes como o amar
Desta vez não me vou proteger
Só para te poder ter.